Precisei de 96 horas para digerir o final de Lost. Entender eu entendi. Apenas não aceitei o final para a série que acompanhei ao longo de seis anos, na tv a cabo, na globo, e por último na net.
Me lembro até hoje do impacto que foi o primeiro episódio, a cena da queda do avião, depois Jack ajudando às pessoas naquele cenário pós tragédia. Aí vieram primeira, segunda, terceira temporada e o mundo só falava em Lost.
Acompanhei, sofri, chorei, junto com aqueles personagens e assim como as demais séries que acompanhei do início ao fim como Bervelly Hills 90210, Melrose Place, X - Files, Party of Five, Felicity, Seinfeld, Dowson´s Creek, Louis & Clark, The king of Queens, My wife and Kids, Charmed, Sex and the City, Everybody hate´s Chris, Everybody love´s Raymond, Mad About You, Alf, Small Wonder, Soap, OZ, Parker Lewis,Moonlighting, McGayver, Twin Peaks, Friends, The Nanny e outros que talvez não tenha me lembrado. Sei que um dia chega o fim e é ruim a despedida, mas as séries terminam e damos lugar a outras estórias que virão.
Mas, as séries não passam assim simplesmente, um pouco de cada estória, de cada personagem ficam e com eles aprendemos um pouco.
Com Lost foi assim também, mas aconteceu algo que revolucionou o modo de assistir, pois parecia que podiamos interagir com o programa e quem sabe tentar descobrir, desvendar os mistérios, como nos filmes de Hitchcock que nos levam a raciocinar sobre o assassino, mas em Lost essa "interação" nos levou a ver episódios mais de uma vez, discutir on line ou em um barzinho com os colegas.
Cada um formulava uma "teoria". E eu e um montão de pessoas imaginamos que eles estavam mortos, mas puxa não poderia ser tão óbvio. Para mim Lost era diferente de todos os outros programas que já havia assistido. Não teria um desfecho tão pouco inteligente assim.
Então chegou o dia 23 de maio de 2010, e qual foi o final de Lost. Isso mesmo, morte e vida eterna.
P.Q.P. fiquei decepcionada sim. Foi bonito o capítulo final, foi emocionante, mas é algo batido já tratado em outros filmes, em novelas e baseado na teoria de que a vida não termina.
Não termina mesmo, isso eu sei e acredito, mas para mim o que Lost mostrou foi o cotidiano normal da vida e da morte, por isso a decepção.
Como se tivesse feito esforço e dedicado tanto tempo aos chats e discussões sobre o que explicaria a ilha, o acidente, os fenômenos. E tudo não passou da morte de Jack e seus devaneios post mortem.
Então alguém pode pensar: como eu posso levar tão a sério um seriado? E olha que eu nem era das mais fanáticas... Mas, amo séries e pela revolução instaurada por Lost na dramaturgia televisiva, eu esperava que o desfecho me surpreendesse assim como me surpreendi com vários episódios ao longo desses seis anos. Não queria esse desfecho meloso, mostrando que a morte é a solução de todos os problemas da vida. Que não importa o que fizermos que "do outro lado" todos seremos iguais, livres dos pecados. Achei uma puta falta de sacanagem da equipe. O que quiseram afirmar com esse final benevolente?
Foi um balde de água fria mesmo. Fiquei chateada! Lost nunca será esquecida e ainda vai gerar muitas discussões, talvez outros programas, livros. Continuo amando o Matthew Fox, que acompanho desde Party of Five, grande ator, por causa dele comecei a assitir Lost seis anos atrás.
Não perdi tempo, mas estou cansada dessa lógica holywoodiana de que no final tudo dá certo e agora até depois do final tudo dá certo, ah, faça - me o favor.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
lost - puta falta de sacanagem
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